31 janeiro 2007

Váismaspagarósevaisnãoperdespelademora...

"Cheiros assim nunca os senti, falo da alfazema que bordeja a tua campa.
Fala, não pares... e ela fala, levada por uma tranquilidade de fim de tarde morna, dolente. As mãos inertes, caídas sobre a manta de cores velhas, legado de avó de dúbio gosto. Em baixo soam pregões e palavrões chicoteados por mercadores de verduras, frutas e quejandos, de mãos calejadas.
Conhecera um, intimamente. Suspirou. Conhecera-o em cima de uma banca de brilhantes e tenras alfaces logo transformadas numa papa informe e viscosa sob os ímpetos de ancas esfomeadas. Recorda-se que por cima da cabeça dela abanava ao vento, irónica, a única testemunha do acto: uma placa de "Tomada de Passageiros". Tomada fora, pois... e com propriedade!
Fala, não pares...
Já não posso, responde ela, é tarde, pesam-me as pálpebras que é uma maneira diferente de dizer que tenho sono.
Mas...
Nem mais um pio!
E o resto?
O resto?... mas que maçada! Está bem, aqui vai o resto: em Portugal vemos o House, e a nível Mundial também.
Que parvoíce!
Reconheço
...e falta uma!
Ah... sim... então: em Portugal vemos o House, e a nível Mundial também excepto o Stevie Wonder, que é cego."

A culpa disto tudo é dela!

29 janeiro 2007

Intervention



Keys taken back I throw
The people they all grow
And choose what they want written on their stone
All quiet and alone

You can taste the fear
Lift me up and take me out of here
I know I want to fight I want to die
Just tell me what to say

Working for the church while your family dies
Little baby sister gonna lose her mind
Every spark of friendship and love will die without a hope

Hear the soldiers groan
All quiet and alone

There’s something in the air
The people they all sit and stare
And tell me what they point to tell me where
And tell me…

Who’s gonna throw the very first stone?
Whose gonna re-set the bone?
Sitting with his head in a sling
I hear the soldier sing

Working for the church while your family dies
Little baby sister gonna lose her mind
Every spark of friendship and love will die without a hope

Hear the soldiers groan
All quiet and alone

Sunshine light
Someone teach me how to fly
And onto something for wish I would die, but I just don’t know what
Though I can taste the fear
Lift me up and take me out of here
And make it all concisely clear
You know I’m gonna fade

Working for the church while your family dies
Little baby sister gonna lose her mind
Every spark of friendship and love will die without a hope

Hear the soldiers groan
All quiet and alone
Hear the soldiers groan
All quiet and alone


Arcade Fire "Intervention"

26 janeiro 2007

Desumanos

Não passo lá todos os dias, longe disso, mas quando passo é um desfrutar de coisas boas. A música que ela aponta, os concertos, as imagens, os cinemas, a vida... e a escrita.
Há dias em que fico embeiçada a pensar "Tenho que comentar, tenho que comentar... mas o quê!? À altura disto o que é que se comenta? Vai-te embora gaja, tem juízo!"...
Mas d'hoje não passa.
O Desumanos fez dois anos e quase me passava ao lado. Que não vos passe ao lado, era um desperdício, garanto.
Parabéns, Joanie Bats!

24 janeiro 2007

21 janeiro 2007

Re-Post

Em resposta a (mais) um Desafio da Hipátia (escolher o post que salvaríamos em caso de incêndio no blog) enviei este texto, um dos primeiros que escrevi minimamente dignos desse nome.
O que aqui se descreve aconteceu e marcou-me. Daí o "re-post".


Forgive me Father for I have sinned. It's been 30 years since my last confession.

Chamava-se Manuel. Devia ser novo ainda na altura, talvez trintas e tantos, alto, bem-parecido, simpático, acessível, sempre disponível e bom ouvinte e ainda por cima, Padre.
Todos gostavam do Padre Manuel, novos e velhos, era disputado pelas famílias influentes para os jantares, recorriam a ele para tudo, opinião ou obra, nunca tanto se fez na freguesia inteira, nunca tanto bailarico se organizou, nunca houve tanta moça disponível para catequizar ou fazer a limpeza da sacristia ou paramentos.
O meu primeiro filme projectado vi-o no salão paroquial. Depois de uma festa qualquer que meteu farto almoço, seguiu-se a exibição de uma fita. Seria de esperar que escolhesse uma qualquer coboiada, mas não, escolheu O Rapaz dos Cabelos Verdes de Joseph Losey.
Também na hora da confissão podíamos contar com ele. Estar à espera em silêncio, a ensaiar a lista de pecados, era angustiante. Depois entrava-se na sacristia, ele estava à espera, sorria.
"Então, conta lá..." Puff, mente em branco, gaita, nem um pecadinho, ái rápido, alguma coisa...
"... aborreceste a tua avó?" Sim! Isso, isso...!
"... não a ajudaste em casa?" Exactamente!
"... não tens estudado nem feitos os trabalhos da escola?" Mais, mais...
"... e disseste palavras feias?" Merda! disse merda!
Saía uma tonelada de cima, ele sabia tudo de cor e salteado, conhecia-nos por dentro e por fora e garantia uma safa divina! Que mais se pode pedir de um padre aos 7 anos?
Mas nada se mantém eternamente na mó de cima e o estado de graça do Padre Manuel não era diferente. Espíritos mesquinhos começaram a espalhar frases maldosas aqui e ali, quem conta um conto acrescenta um ponto e num ápice passou de santo a crucificado na praça pública.
A gota de água veio na forma de uma criança a quem o Padre Manuel deu o seu nome. Escândalo, escárnio, maldizer, ouro sobre azul para a cambada de hipócritas ingratos e de memória curta que conseguiu assim expulsá-lo da freguesia com o amém dos superiores hierárquicos. Foi enviado algures para os subúrbios de Lisboa, onde aparentemente não fazia diferença ser padre perfilhador de crianças.
Ele foi o primeiro e último padre com P grande que conheci e marcou a minha primeira desilusão com a Igreja. Não sei o que foi feito dele, se continuou a espalhar a "palavra de Deus" com o entusiasmo contagiante que o caracterizava e arrastava tudo e todos. Espero apenas que não seja só amargura o que sente quando ocasionalmente se lembrar de nós.

18 janeiro 2007

My heart


(daqui)

My heart is mine alone

It's not that I'm being selfish
I've tried giving it away
but it keeps coming back.

17 janeiro 2007

Desinformação


(daqui)

Contrariamente aos seus pais, desenvolvera desde cedo um estranho gosto por armas brancas, lâminas afiadas e reluzentes de impecável eficácia.

Só no corredor da morte viria a descobrir que tinha sido adoptado.

16 janeiro 2007

iDiot


(via email do "prof'rui" que nunca mais arranja um blog...)

Eu não sei se foi por ter mudado de cor de letra para que pudesse ver decentemente no ibook dele, mas o que é certo é que o nosso "prof" mandou este mimo que caiu que nem nozes.
E por falar de mudanças, mudei para o novo blogger. Exacto, depois de ter falado cobras e lagartos do dito. E não retiro uma palavrinha que seja. Eram as palavras certas para a altura.
Agora mudei, completamente (con)vencida por ela que também me fez babar pelo mais recente brinquedo cá de casa.
Mudar é bom. Só os iDiotas não percebem isso.

14 janeiro 2007

Para puta, puta e meia...

"Meu amor,

Serve a presente para informar que retirei 250 euros do envelope que guardas junto dos meus sutiãs. Referem-se ao aluguer da nossa cama, daquela onde dormimos, amamos, trocamos palavras ou simplesmente fodemos.
Tenho de cortar o cabelo, pintá-lo, está uma desgraça e já não me consigo olhar no espelho. Vou aproveitar e fazer os pézinhos também, talvez mesmo as unhas das mãos.
Se sobrar algum, vou comprar uma roupinha que deus sabe que bem preciso.

Com amor (sem ironia!)

Eu

PS... só tinhas notas de 100, amanhã trago o troco."