29 maio 2006

27 maio 2006

Atlantic City

Well they blew up the chicken man in Philly last night now they blew up his house
too
Down on the boardwalk they're gettin' ready for a fight gonna see what them racket
boys can do
Now there's trouble busin' in from outta state and the D.A. can't get no relief
Gonna be a rumble out on the promenade and the gamblin' commission's hangin'
on by the skin of its teeth
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City
Well I got a job and tried to put my money away
But I got debts that no honest man can pay
So I drew what I had from the Central Trust
And I bought us two tickets on that Coast City bus
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City

Now our luck may have died and our love may be cold but with you forever I'll stay
We're goin' out where the sand's turnin' to gold so put on your stockin's baby
'cause the night's getting cold
And everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Now I been lookin' for a job but it's hard to find
Down here it's just winners and losers and don't get caught on the wrong side of
that line
Well I'm tired of comin' out on the losin' end
So honey last night I met this guy and I'm gonna do a little favor for him
Well I guess everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your hair up nice and set up pretty
and meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City

Bruce Springsteen, "Atlantic City"

Tinha saudades do "Nebraska".
Se conduzisse, pegava no Camaro e metia estrada fora, quilómetros e quilómetros de estrada ladeada por quilómetros e quilómetros de deserto, de areia, de pó, sol escaldante e "Nebraska". A América que eu não conheço tem sempre esta banda sonora.

23 maio 2006

A sucker for soccer

(daqui)

Mulher, se esperavas uma oportunidade para...

- comprar finalmente aquela malinha tão gira equivalente a meio mês de ordenado sem ouvir recriminações;
- pôr a leitura em dia, descansada;
- sair todas as noites e voltar tarde e mal (até podes trazer companhia, ele não vai notar!);
- jantar com aquelas amigas que não vês há séculos porque "...são umas galinhas!";
- dormir as noites descansada e com a cama toda por tua conta (ele adormeceu no sofá com a cara enfiada na malga dos amendoins);
- fazer olhinhos (ou algo mais) ao vizinho do lado, ao jardineiro ou a outro espécimen do sexo oposto que não aquele que já tens em casa (vulgo "facadinha");
- etc, etc, etc...

... não desesperes! Junho vem aí e o Mundial também.

Tempo

Dos anos que correm rápido passando por mim a velocidades desvairadas apenas direi que é culpa minha: à força de tanto querer que à Segunda suceda a Sexta, assim acelero o tempo sempre desejoso de me fazer as vontades desde que sejam também as suas.

20 maio 2006

"I don't like architects!"

"5 Anos de tolerância
Os Srs. deputados vão votar mais uma vez sobre matérias que desconhecem. Mas falam como se lidassem com o problema todos os dias. É só ouvi-los falar…
Os arquitectos tiveram 5/6 anos de formação superior na qual empenharam a sua vida, os seus recursos e os do Estado. São hoje mais de 13 000 e acotovelam-se para arranjar emprego como porteiros em discotecas. Não podem concorrer com os preços, a irresponsabilidade e a incompetência dos outros técnicos a quem a lei 73/73 atribuiu "competências" para conceber edifícios. São "competências" que não lhes foram dadas nunca, num processo formativo estruturado e coerente, mas sim "emprestadas" por lei e numa altura em que não eram mais de 500 os arquitectos neste país.
Esses tais "outros técnicos" são responsáveis por 80% a 90% dos projectos entrados e licenciados nas câmaras. Fazem-nos a "preço de saldo" porque sabem por um lado a "desqualidade" do projecto que vendem e, por outro, a "desresponsabilidade" que colocam no processo. Não lhes custa muito, por isso cobrar o que cobram por um projecto decalcado.
Há quem goste deste estado de coisas. É uma atitude "esperta". Mas dos Srs. deputados seria de esperar uma atitude inteligente. Era suposto saberem que as decisões que se tomam de forma leviana e corporativa para proteger interesses instalados têm consequências na paisagem, e que já vai cheirando mal à nossa volta.
Mas não.
De que serve então ter uma lei de 1990 de adaptação da directiva europeia de 1985 que referia que esta área deve ser limitada a profissionais com formação superior em arquitectura? E a outra de 1998, que, definindo o estatuto dos arquitectos, lhes atribui em exclusivo esta mesma competência? E para que foi o "peditório nacional" de 2002 que exigia do governo acção nesta matéria? Quem é que ignorava este processo de fazer justiça e corrigir o que é imoral?
5 Anos de período de transição para que um direito, uma responsabilidade, uma obrigação do Estado perante o seu povo, a sua qualidade de vida, a sua paisagem, a sua estrutura urbana, enfim, perante a estatura reconhecida da sua arquitectura, se concretize. Mais 5 anos. Desde de 1990 que os arquitectos ganharam o número e o enquadramento legal necessário e suficiente para que justiça seja feita. As razões morais e de qualidade vêm já de trás, desde 1973. Desde 1973 a viver no reino da irresponsabilidade e a valorizar a mediocridade. Por isso não são 5, são já 16 anos e não é nada pouco! Com mais 5 chega a 21! E realmente é preciso ser-se maior e vacinado para aturar tamanha incompetência! E diz o egrégio bastonário que o governo (leia-se engenheiros) juntamente com o IMOPPI (leia-se engenheiros) já estão a regulamentar todo o processo de forma global e integrada… Será que se vão lembrar de chamar o seu a seu dono e decompor a direcção de obra em dois, criando um "Termo de responsabilidade pela arquitectura do projecto"? Sim, que se a formação é divergente e a actividade profissional é autónoma, então a direcção de obra terá que ser bicéfala. Mas também ninguém parece lembrar-se disso.
Mais 5 anos, francamente…!"
Tempo de antena do Antonymous. Porque desabafar faz bem.

18 maio 2006

18 de Maio 1917

(daqui)
Para a Mãe Gilda.
Agora sou eu quem diz, embora tarde demais, "obrigada pela dádiva".

16 maio 2006

73/73

"Decreto 73/73
Primeira iniciativa legislativa de cidadãos discutida a 18 Maio

A Assembleia da República vai discutir e votar, a 18 de Maio, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos «Arquitectura: Um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos», que pretende revogar parcialmente o Decreto 73/73.
O projecto de lei que visa a revogação parcial do Decreto 73/73 pretende que a elaboração, subscrição e apreciação de projectos de arquitectura sejam da exclusiva responsabilidade dos arquitectos que se encontram inscritos na respectiva ordem profissional.
Esta é a primeira iniciativa legislativa apresentada por cidadãos eleitores junto da Assembleia da República, de acordo com a legislação aprovada em 2003 para o efeito.
Actualmente, engenheiros civis, técnicos de engenharia e de minas, construtores civis diplomados e outros técnicos de engenharia podem subscrever projectos de arquitectura. A Inciativa Legislativa de Cidadãos pretende «devolver e reservar aos arquitectos as competências cujo exercício só a sua especial qualificação justifica e exige»".(continua)

11 maio 2006

11 de Maio... O meu pai faz anos

O mê pai faz anos hoje. Eu gosto muito do mê pai. E ele gosta muito de mim. Eu não lhe digo isto muitas vezes mas ele sabe que sim.
Dizem que as meninas são mais agarradas ao pai que à mãe. Por força de circunstâncias várias tal não veio a acontecer connosco, a cumplicidade foi toda para a mãe, que era quem estava presente.
O pai não. Quando eu tinha 4 ou 5 anos emigrou para o Canadá. Dos anos que lá passou guardo cartas e, principalmente, postais. Não destes agora, mas postais pequeninos. Não os vejo há muito tempo mas, a menos que a memória me atraiçoe, acho que são dezenas deles. São monumentos, paisagens, igrejas, gentes. Também mandava uns postais de aniversário na altura espantosos: consoante se viravam, assim se mexiam os patinhos ou gatinhos neles impressos, pareciam vivos e chegavam a ser assustadores.
Tinha uma brochura da embaixada canadiana que falava sobre o país das mil oportunidades e que lia e relia até quase a saber de cor. O Canadá passou a ser para mim o Paraíso.
Para o meu pai, nascido e criado numa aldeia, sem falar a língua e sozinho, presumo que não deve ter parecido assim. Como bom português, meteu mãos à obra e fez de tudo um pouco. Não sei muitas histórias que ele não é de falar muito, mas lembro-me de contar que trabalhara na limpeza de uma fábrica de chocolates e de como suspeitava que deixavam as caixas abertas nas secretárias num teste silencioso à honestidade dele e dos colegas. A certa altura saiu da cidade e foi para a construção do caminho-de-ferro. Passavam semanas na floresta quase virgem, afugentavam os ursos gulosos do barracão/despensa com gasolina e a única coisa que os ligava à civilização eram os quilómetros de linha que iam deitando para trás das costas. Um acidente com um vagão tirou-o dali para fora de helicóptero direito para o hospital. Guarda a recordação na forma de uma "entrada" de cabelo ligeiramente desproporcionada.
Quando regressou a Portugal encontrou uma filha que não conhecia. E vice-versa. Tentou compensar com passeios domingueiros e idas à praia. Aí sim, dentro de água não havia diferença entre nós, eu era uma "pata" igualzinha a ele, horas dentro de água até ficar com os dedos roxos. Hoje chamar-lhe-iam inconsciente mas com 9 ou 10 anos levava-me para o mar da Nazaré onde bebi mais água do que em qualquer outra praia. Aí aprendi com ele a furar ondas e também a aceitá-las, a deixar o corpo mole quando era enrolada e despejada na praia.
Fui crescendo sem grandes sobressaltos e sem lhe causar dores de cabeça de maior importância até o carteiro começar a parar amiúde em casa para deixar cartas atrás de cartas que vinham da Madeira.
Vi o meu pai chorar duas vezes por causa do mim: no largo da igreja aqui em frente, quando me acompanhou à Madeira da primeira vez e teve consciência de que eu ia ficar e quando me levou pela segunda vez ao aeroporto para vir embora. A minha mãe, a avó, tudo bem, mas o meu pai não chorava e essa recordação queimou-me durante muito tempo.
Agora, tal como a minha mãe, também ele tem a filha e os netos a crescer longe dele. Vamos compensando os dois mandando-lhes os miúdos durante as férias para que os estraguem com mimos, cada um à sua maneira. E assim se atenuam as saudades até à próxima partida.
É assim, pai.
Um beijinho e um xi-coração apertado.

09 maio 2006

9 de Maio... A minha mãe faz anos

A 'nha mãe faz anos hoje.
Eu gosto muito da 'nha mãe. E ela gosta muito de mim. Eu não lhe digo isto muitas vezes mas ela sabe que sim.
Hoje, como quase todos os dias, ela vai ligar-me e perguntar como estou, como estamos todos. É a aspirina dela para a saudade, para o facto da filha envelhecer e os netos crescerem longe dela.
E porque é dia de anos vai ser mais difícil desligar e vamos ficar com os olhos meio embaciados. E depois quando vier aqui, possivelmente vai mesmo borrar os olhos todos, não vais? Vai-me lavar essa cara, mulher!...
Por não me ser fácil falar de quem gosto, principalmente de quem comigo partilhou sangue e carne e cordão umbilical, estão ali em baixo coisas nossas, minhas e dela, algumas só dela, num falar por falar, bocadinho disto, bocadinho daquilo, numa manta de retalhos que fiz para nós duas.
Pega nessa ponta que eu pego nesta.
Um beijinho e um xi-coração apertado.

9 de Maio... De "quando fores velhinha"


"... e um dia, quando fores velhinha, ponho-te pólvora nos ouvidos e fazes PUUUUUM!"
Isto disse-te eu há muitos anos, furiosa não sei por que razão, era uma fedelha, e tu nunca mais esqueceste e passaste a contar a toda a gente, divertidíssima, o destino que a tua filha te reservava quando fosses velhinha.
Lixaste-me! Agora toda a gente sabe e se um dia me passar pela cabeça "limpar-te o sebo" o que me resta? Só se for as lagartas das couves! Não é justo.

9 de Maio... Das lagartas

Tu matas cobras nas calmas, ratos assim-assim, mas as lagartinhas em geral e aquelas amarelas e pretas que atacam as couves em particular, essas, deixam-te apavorada.
Um belo dia estava eu lá em cima em casa a fazer não sei o quê e ouvi uma voz irreconhecível de pavor a chamar-me baixinho lá em baixo no jardim... tão baixinho que quase nem te ouvia. Espreitei pela janela e lá estavas tu, transida, uma estátua branca como a cal, incapaz de se afastar do viçoso pé de couve cheio de lagartinhas vorazes. Lá fui eu arrastar-te para longe delas até ganhares cores de gente viva. Lagartas, mãe?! Pelo menos eu tenho medo de cobras e tubarões que são assim bichos de certa monta e perigosidade, agora lagartas?!

9 de Maio... Do Sporting

É Verde até à medula!
Observá-la a ver um jogo dos seus Leões é uma experiência única. Principalmente naquela parte em que se levanta do sofá e caminha em transe para o aparelho de televisão, de olhos arregalados. Acho que a intenção é dar uma ajudinha ao Ricardo ou um estaladão a um dos adversários.
Se os "outros" marcam e os nervos já chegaram ao ponto de rebuçado, vai-se embora e fecha-se no quarto... agarrada ao rádio. Leoa sofre!

9 de Maio... Das flores

Não sei o que ela faz, é jeito, prática, anos e anos a mudar vasos, energia positiva, sei lá... Só sei que as flores com ela ganham uma exuberância impressionante.
Só as vê de quinze em quinze dias mas quando ela chega, parecem galarós, todas impantes. Trata-as com desvelo e carinho mas, quando é preciso, pões os pontos nos iis como fez com as estrelícias.
Não me lembro se as levou da primeira vez que veio à Madeira ou se lhas deram, o que é certo é que, ao fim de um ou dois anos, o diabo da planta apresentava fartas folhas mas flores, nem vê-las! Farta de não ser correspondida, chegou-se um dia ao pé da estrelícia com a enxada e avisou-a:
- Tu, ou te despachas a dar flores, ou ponho-te as raízes ao sol!
Não sei se a planta percebeu o perigo, o que é certo é que desatou a dar flores e até hoje ainda não parou.

9 de Maio... Dos bolos

Deliciosos, os teus doces, todos. O bolo mármore, o arroz-doce, o bolo de maçã, as argolinhas, aquela coisa com maçã e pudim flan, a torta de laranja... ái a torta de laranja!
Com os outros podia acontecer, mas era raro. Agora com a danada da torta, parecia que funcionava na razão proporcionalmente inversa à necessidade da dita sair impecável.
Saía do forno, prometedora e com um perfume que se espalhava pela casa toda. Ao desenformar a coisa já começava a correr mal e então era a tentativa desesperada de a soltar, depois começava a sair aos pedaços e todo o doloroso processo terminava com o disparo pela porta fora do resto da torta, tabuleiro e tudo, num voo sem asas. Não valia a pena tentar lembrar-lhe que aquela massa deformada mas deliciosa podia muito bem ser comida à colherada. A fúria da cozinheira era implacável e quem ficava a ganhar eram os cachorros da vizinhança que se lambuzavam com a sobremesa inesperada.

9 de Maio... Da bilha de gás

Eu tinha realmente pedido para trazerem gás mas tinha esquecido de dizer onde deviam entregá-lo. Era uma miúda e nunca tal questão prática tinha passado pela minha cabeça. Agora a bilha estava ali em casa da minha avó, na parte de baixo da aldeia, e de certeza que não ia ganhar pernas para subir até à minha casa. A mãe estava furiosa, sem gás e a ter de carregar aquele pesadelo pela aldeia acima, eu chorava baba e ranho, aflita com a situação. E metemos mãos à bilha. A primeira etapa era uma subida puxada e dura até à capela. Entre arranques e paragens para recuperar o fôlego, quando lá chegámos já a minha mãe tinha deixado a zanga para trás. O problema agora era o riso. A nossa figura era tal, estávamos tão cansadas que por tudo e por nada desatávamos numa risada, perdíamos as forças e largávamos a bilha. E ainda faltava o melhor da festa: a segunda etapa da subida até ao topo da aldeia. Se subir aquela ladeira em condições normais era uma dor, então a carregar uma bilha de gás era um verdadeiro calvário. E a rir que nem colegiais idiotas por tudo e por nada também não ajudava. Mas chegámos a casa. Rebentadas, com as mãos vermelhas e inchadas, encharcadas em suor e às risadas como se tivéssemos assistido a uma comédia na primeira fila. Agora, quando raramente surge um stress uma uma situação do género, uma de nós dirá "Ficaste chateada? Olha, vai carregar uma bilha de gás!"

9 de Maio... Da educação

Péla-se por uma boa anedota! Por vezes toma nota em papéis para depois contar, tem sempre uma anedota nova. Se for "picante", melhor!
Desde miúda que as ouço, depois comecei a ter o meu próprio repertório e fontes e passei a contar-lhe também anedotas.
Quando eram mesmo reles, ela fazia um ar falsamente chocado:
- Ai que horror! Mas foi essa a educação que eu te dei?
Era a minha deixa. Por vezes respondia logo, outras vezes fazia-me desentendida até ela ficar impaciente e avançar com um "Então?". Aí, punha um ar afectado e fazia-lhe a vontade:
- Não! Era pior ainda, mas foi o que consegui absorver!

07 maio 2006

01 maio 2006

Fairy feet

"Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet,
Tread softly because you tread on my dreams"

W.B. Yeats